Trê Investindo com Causa
Provar que é possível fazer diferente. Foi esse o impulso que levou Paula e Fabiana a fundar a Baluarte. Imersas em um mercado “predatório, instável e vulnerável”, o nome escolhido para a organização já carregava essa promessa: baluarte é palavra de fortificação, de estrutura erguida para resistir.
Duas décadas depois, essa palavra deixou de ser só um nome. Virou descrição precisa do que a organização se tornou: uma base sólida o suficiente para segurar as próprias tempestades e, ao mesmo tempo, generosa o bastante para abrigar quem está atravessando as delas.
Duas décadas em construção
Em 2005, após se formarem em Produção Cultural, Paula Brandão e Fabiana Costa formalizaram a Baluarte com um CNPJ. Não havia, ainda, um plano de negócios. Havia, sim, o desejo de fazer cultura de um jeito diferente.
Esse desejo ganhou corpo em 2006, com a participação no programa Iniciativa Jovem, primeiro contato concreto da dupla com plano de negócios, gestão financeira e modelagem. Sementes que, segundo Paula, ainda ressoam em como a organização se estrutura hoje.
A virada mais simbólica veio em 2015, quando a Baluarte deixou de ser uma agência de projetos para se tornar Baluarte Cultura, com identidade própria em metodologias, consultoria e projetos proprietários, e se tornou Certificada B. Foi um divisor de águas: “entendemos que de fato éramos negócio de impacto, e que poderíamos nos apropriar de algo legítimo”, resume Paula. A certificação trouxe metodologia para medir o impacto positivo causado, o que antes era hípotese virou certeza.
Esse compromisso sempre foi sustentado por um princípio que atravessa toda a trajetória da organização: olhar o impacto de dentro para fora. O propósito declarado da Baluarte, dar às pessoas o direito às oportunidades e às escolhas, se traduz primeiro em como ela cuida de quem trabalha dentro dela: contratos formais e melhoria constante de benefícios.
Essa postura “de dentro para fora” foi provocada por uma desconfiança em relação a negócios tradicionais que, segundo Paula, “fazem um impacto lindo lá fora, mas por dentro tem relações tóxicas com colaboradores”. Para a co-fundadora, isso não é legítimo. O impacto que se mostra para fora só é verdadeiro se antes tiver sido praticado para dentro.
Em 2017, a adesão ao Pacto Global da ONU ampliou ainda mais essa base de conhecimento e relacionamento. E em 2025, ao completar vinte anos, a Baluarte deu mais um passo: tirou a palavra “Cultura” do nome (não da essência, como Paula ressalta) para assumir formalmente que atua também em educação, esporte, saúde e infância.
“Passamos a dizer que tudo aquilo que é capaz de gerar impacto e benefício social, podemos contribuir”.
Paula Brandão, cofundadora da Baluarte


Onde arte vira pertencimento
Dois projetos ilustram bem esse compromisso. O primeiro é o Estúdio Escola de Animação, que já soma 14 anos de atuação formando jovens, preferencialmente em situação de vulnerabilidade, para o mercado de animação. Seis meses de aulas culminam em uma mostra de curtas autorais no cinema, com famílias e professores emocionados na plateia.
Paula lembra de casos de jovens em situações de grave sofrimento emocional que encontraram, na comunidade formada pelo projeto, um espaço de reconhecimento.
Ao perguntar sobre a história de algum aluno ou aluna, a que ressalta na memória de Paula é de um depoimento de um pai sobre a filha: o brilho no olho ao contar como ela mudou depois do curso. Aquela mesma jovem que a família via com desconfiança se formou no Estúdio, virou monitora do projeto e seguiu carreira na área. É esse tipo de história, de bastidores e sem holofote, que Paula considera o verdadeiro indicador de impacto: quando a família passa a enxergar como talento aquilo que antes via como desvio.
Em 2025, o projeto ganhou um novo endereço: um polo em Vitória, no Espírito Santo, além da atuação histórica no Rio de Janeiro.
O segundo projeto é o Brasil de Tuhu, programa de educação musical com quase duas décadas de estrada, pensado desde o início para circular por regiões onde poucos projetos culturais chegam. Com passagens pelo interior do Acre, Tocantins, Piauí e do Sul do país. Mais de 14 frentes de ação compõem o programa, entre capacitação de educadores, curtas, revista e podcast.

Uma novidade recente resume bem o efeito multiplicador do trabalho: depois de três anos de parceria, a Secretaria de Educação de Várzea Paulista criou seu próprio programa municipal de educação musical, inspirado diretamente no Brasil de Tuhu.
“Para a gente é um impacto lindo de ver. Impactamos toda uma rede de escolas”.
Paula Brandão, co-fundadora da Baluarte
Uma fortaleza erguida tijolo a tijolo, coletivamente
Nenhuma fortaleza se ergue sozinha.
Em 2020, no auge das incertezas da pandemia, a Baluarte teve seu primeiro contato com financiamento coletivo externo, uma novidade muito bem-vinda. A conexão aconteceu pelo Sistema B, e o programa foi o CoVida20, iniciativa desenvolvida em parceria entre a Trê, o Sistema B, o Capitalismo Consciente e a Din4mo para apoiar negócios de impacto comprometidos com a manutenção de emprego e renda durante a crise sanitária.
Naquele momento, a prioridade da Baluarte era simples e urgente: manter o time.
“Tivemos uma série de verbas contingenciadas, uma incerteza enorme sobre tudo o que ia acontecer, e uma preocupação muito grande de cuidar das pessoas que estavam com a gente”, relembra Paula.
Mas o que veio depois do apoio financeiro talvez tenha sido ainda mais importante do que o próprio recurso: a coragem.
“O principal ganho foi a coragem de entender que a gente estava preparada para acessar outros financiamentos”.
- Paula Brandão, co-fundadora da Baluarte
Paula credita boa parte dessa confiança às conversas com o time da Trê, em especial com Marcos Pedote e Sergio Resende, num momento em que a organização estava fragilizada e precisava ouvir, de alguém de fora, que a trajetória fazia sentido.
“Às vezes tem que vir alguém de fora pra falar: vocês estão gerando impacto mesmo. A gente fica muito dentro de casa, e quase desvaloriza tudo aquilo que faz”.
- Paula Brandão, co-fundadora da Baluarte
Foi esse encontro entre apoio financeiro humanizado e validação externa que ajudou a erguer mais um tijolo da fortaleza. Uma sequência de investimentos que a organização recebeu via o CoVida20, e que resultou, entre 2020 e 2026, na maior aceleração de crescimento da história da Baluarte.
Duas décadas, um ecossistema inteiro
Os números do Relatório Anual 2025 da Baluarte dão a dimensão do impacto gerado pela organização. Ao longo de vinte anos, mais de R$ 680 milhões foram mobilizados para iniciativas de impacto social, mais de mil iniciativas foram viabilizadas em diversos os estados do Brasil e alcançaram mais de 40 milhões de pessoas.

Ao falar sobre a Baluarte, lembramos de outras organizações que atravessaram a fase mais crítica da pandemia com apoio da Trê. Para entender o impacto do programa, o Relatório Final do CoVida20 reúne os resultados dessa iniciativa que ajudou a Baluarte, e tantas outras organizações, a atravessar a fase mais crítica da pandemia.
Só em 2025, foram mais de 11 milhões de pessoas beneficiadas pelas consultorias e realizações da Baluarte, um crescimento de 42% em relação ao ano anterior, e R$ 176,2 milhões mobilizados dentro do ecossistema da economia criativa. A atuação, hoje, alcança 100% dos estados brasileiros e já chegou digitalmente a 66 países, gerando mais de 23 mil ocupações diretas e outras 11 mil indiretas.
Esse impacto acontece em duas frentes que se completam. De um lado, os projetos e programas próprios, como o Estúdio Escola de Animação e o Brasil de Tuhu, que são realizações diretas da Baluarte. De outro, o trabalho de consultoria em patrocínios incentivados e investimento social privado, que conecta organizações e instituições de todo o ecossistema, ampliando a escala do que a Baluarte fundou.
É esse segundo pilar que revela o que talvez seja o traço mais bonito da trajetória da Baluarte: o ciclo completo de give-back.
A mesma organização que, em 2020, precisou bater à porta da Trê para se manter de pé, hoje é quem abre portas para outras organizações que estão exatamente onde a Baluarte esteve no início. O mesmo cuidado que um dia recebeu de fora, hoje oferece para dentro do ecossistema inteiro. É o “olhar de dentro para fora” se repetindo em escala cada vez maior: primeiro dentro de casa, depois para quem está ao redor.
O reconhecimento tem vindo junto. Em 2024, a Baluarte recebeu o Prêmio Movimento Salário Digno, do Pacto Global, fruto de ter antecipado suas próprias metas de remuneração justa.
“Isso é diferencial nosso pois sabemos que no nosso mercado é um atributo raro mas que para nós é inegociável”.
- Paula Brandão, co-fundadora da Baluarte


Um agradecimento e um convite
Para Paula, investir em impacto nunca foi só uma decisão financeira, é, antes de tudo, um posicionamento.
“Fazer investimento de impacto é, pra mim, um ato político. Você poderia colocar seu dinheiro em margens muito mais agressivas, e escolher não fazer isso é ter consciência do potencial social que o dinheiro carrega“.
- Paula Brandão, co-fundadora da Baluarte
É esse senso de coletivo que ela deixa como mensagem para quem apoiou a Baluarte ao longo do caminho: “Se só uma pessoa ganha, ela não está ganhando de verdade, porque se todo o resto ao redor está desestruturado, aquilo que ela ganhou não vai ter serventia”.
Gratidão, para ela, é reconhecer que cada aporte financeiro carrega dentro de si um voto de confiança. E que esse voto, multiplicado, é o que sustenta uma rede inteira de pessoas e organizações tentando fazer diferente, a mesma rede que a Baluarte hoje ajuda a manter de pé.
Se você carrega uma causa no coração, conhece algum negócio que se encaixa em nossos programas com causa, ou busca desenvolver seu próprio programa que impulsione negócios com causa, saiba que a Trê está aqui para caminhar ao seu lado! Nosso papel é transformar ideias e sonhos em comum através de programas, como o CoVida20, para apoiar iniciativas como a da Baluarte em movimentos reais, com impacto socioambiental e legado duradouro.
Vamos conversar? Juntos, podemos construir caminhos para um futuro mais justo, acolhedor e cheio de possibilidades. Entre em contato conosco pelas nossas redes sociais, email ou WhatsApp!
A Trê Investindo com Causa estrutura e coordena programas de financiamento e fortalecimento para negócios com causa em parceria com diversas organizações filantrópicas e privadas. A instituição já mobilizou mais de R$ 30 milhões e já beneficiou mais de 100 negócios de impacto positivo.
Junte-se a nós nessa jornada por um futuro mais sustentável! Siga-nos no Instagram e LinkedIn, e inscreva-se em nossa newsletter para acompanhar nossas iniciativas e oportunidades de impacto.
Beatriz Girão Time Trê de Marketing & Comunicação
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Beatriz Girão
Time Trê de Marketing & Comunicação
