Capítulo 10: Exchange do Bem – Transformando Viagens em Ações de Impacto

Capítulo 10: Exchange do Bem – Transformando Viagens em Ações de Impacto

Por Beatriz Girão e Mariana Stamato | Trê Investindo com Causa

Semeando a cultura do Bem

Eduardo Mariano cresceu imerso na cultura do voluntariado. Desde a infância, acompanhava seus pais em projetos voluntários em eventos da igreja frequentada pela família. Também sempre viu seus pais auxiliando comunidades no acesso a cestas básicas ou dando apoio a pacientes com câncer. Mesmo sem compreender completamente aquele universo de trocas e solidariedade, desde cedo germinava nele a semente da paixão pelo voluntariado.

“Meus pais sempre foram pessoas que ajudaram todos ao redor, mesmo quando a situação financeira deles era delicada. Com o passar dos anos, conforme a realidade financeira deles melhorava, eles passaram a ajudar ainda mais, com pequenas atitudes”, relata Eduardo.

Em 2013, buscando expandir seus horizontes,  Eduardo teve a oportunidade de viajar como voluntário para o Nepal. Durante cinco semanas, ajudava em um orfanato com 34 crianças e dava aula de inglês para as crianças de uma pequena comunidade localizada perto do distrito de Bharatpur, região centro-sul do país. Ao retornar ao Brasil, sentiu que sua missão estava incompleta. A vontade de fazer mais por causas socioambientais o acompanhou durante todo o voo de volta.

Essa “pulguinha atrás da orelha” de Eduardo não descansou em solo brasileiro. Dois anos após a experiência no Nepal e já de volta à vida corporativa no mercado financeiro, o administrador mergulhou em leituras sobre trabalhos voluntários ao redor do mundo e sobre o sistema econômico atual. Porém, ao invés de “saciar” a inquietação, essas reflexões a alimentavam ainda mais.

Incomodado, Eduardo sentiu que precisava buscar um propósito maior em seu trabalho. As experiências no Nepal o acompanhavam durante a rotina, e a vontade de fazer mais crescia a cada dia. “Se ninguém continuar o que construí, qual foi o sentido da viagem?”, essa reflexão central foi  o ponto chave para que ele decidisse deixar a antiga empresa e iniciar seu próprio negócio.

Em 2016 a Exchange do Bem nasceu com a missão de tornar o mundo um lugar melhor: “Não vamos conseguir mudar o mundo, mas podemos deixá-lo melhor para quem já está aqui”. Como todo empreendedor, o início do negócio foi permeado por burocracias, mas sempre relembrava o propósito por trás de todo o esforço: “Conectar pessoas à projetos sociais ao redor do mundo”.

CoVida20: Trê & Exchange do Bem

A Exchange do Bem se conectou com a Trê em um dos momentos mais desafiadores do século XXI: a pandemia da Covid-19. Em 2020, Eduardo viu seu negócio quase voltar à “estaca zero”. Trabalhar com viagens enquanto o mundo inteiro se refugiava em casa era como remar contra a maré nos planos de espalhar o bem globalmente.

Para a Exchange do Bem, antes do vírus, o negócio crescia de forma exponencial, com cerca de 50% de aumento anual. Porém, em fevereiro de 2020, as viagens começaram a ser canceladas, a receita caiu drasticamente, e surgiram desafios relacionados aos voluntários que já estavam em outros países e precisavam retornar ao Brasil. No momento em que negócios, rotinas e formas de trabalho tiveram que se reinventar completamente, não foi diferente para a Exchange do Bem.

Ao longo dos primeiros meses permeados pelo vírus da Covid, a Trê desenvolveu o CoVida20. Um programa de financiamento para negócios de impacto comprometidos com a manutenção de emprego e renda durante a pandemia. O programa reuniu diferentes perfis de investidores e doadores para oferecer aos negócios empréstimos em condições acessíveis e coerentes com o momento atual, visando manter negócios vivos durante uma crise global.

Eduardo chegou ao CoVida20 “de paraquedas”. Durante uma conversa emocionante e sincera com o diretor da Trê, Otávio Lourenção, Eduardo e outros dois sócios expressaram o propósito e missão do negócio. A desejada vaga no programa desenvolvido em parceria entre a Trê, Sistema B, Capitalismo Consciente e Din4mo, foi conquistada e, com isso, um sentimento de alívio, parceria, acolhimento e, sobretudo, a esperança de que havia um futuro para a Exchange do Bem.

O administrador relata que a experiência trouxe grandes aprendizados como empreendedor. O empréstimo gerou responsabilidade para o negócio, que foi além do financeiro, mas um voto de fé e confiança. 

“A mensagem da Trê e dos investidores era clara: ‘Acredito no teu sonho, e você vai continuar entregando seu impacto. É uma fase ruim, mas vamos passar juntos, e você vai continuar fazendo o que faz’”, conta Eduardo.

Com o CoVida20, a Exchange do Bem conseguiu manter a maioria dos colaboradores da equipe – em um momento de demissão em massa por conta da pandemia. Além do respaldo financeiro, houve a sensação de que as pessoas acreditavam no negócio e na importância da continuidade de seu impacto. Isso trouxe a oportunidade e a tranquilidade necessárias para Eduardo crescer como empreendedor. Ser acolhido pela comunidade de impacto da Trê gerou um verdadeiro “quentinho no coração” para todos na Exchange do Bem.

Atualmente, o programa Covida20 segue ativo em sua fase final, muitos negócios já finalizaram o pagamento dos empréstimos recebidos e outros continuam efetuando o re-pagamento aos investidores. Com muita gratidão e orgulho pela trajetória, Eduardo compartilha que em novembro de 2024  a Exchange do Bem concluiu a retribuição a cada pessoa que acreditou e apoiou o negócio, mesmo quando tudo parecia perdido. Os investidores que acreditaram, receberam seus valores corrigidos de volta e podem continuar gerando impacto ao reinvestir esses valores em novas causas e programas disponíveis na plataforma da Trê.

Em maio de 2024, chuvas em volumes inéditos causaram enormes perdas de vidas e de patrimônios públicos e privados no Rio Grande do Sul, estado natal do Eduardo e da Exchange do Bem. Assim, eles criaram uma ação emergencial de captação de recursos e doação de bens que pode levar apoio a muitas pessoas, mostrando o seu constante engajamento com apoio e voluntariado.  

A rede do Bem

O impacto gerado pela Exchange do Bem é global: a rede criada pelo negócio mantém projetos, voluntários e comunidades unidas de maneira integrada e significativa. O processo de contato, seleção e conexão dos voluntários com os projetos é realizado de forma pessoal e humanizada. Eduardo, ou alguém da sua confiança, visitou pessoalmente cada um dos projetos disponíveis, estabelecendo uma relação única e direta com todas as partes envolvidas.

Antes do embarque, os voluntários passam por uma preparação específica para o destino escolhido. Em projetos realizados na África, por exemplo, são abordados temas relacionados ao anti racismo e às questões de classe, garantindo que cada viajante esteja preparado para as atividades e para as trocas culturais que vivenciará.

O impacto no voluntário e na comunidade

“Quase 90% dos voluntários que retornam ao Brasil após uma viagem relatam o impacto transformador que a experiência teve em suas vidas e passam a se dedicar a mais projetos sociais, chegando até a abrir seus próprios negócios voltados para impacto socioambiental positivo. Os viajantes se conectam com o propósito. Essa paixão não fica no país onde o projeto acontece, mas acompanha o voluntário pelo resto da vida, gerando mudanças de carreira, pessoais e espirituais”, explica Eduardo.

Para a Exchange do Bem, voluntários e projetos estão em pé de igualdade. A troca cultural e de aprendizados ocorre de maneira democrática entre o viajante e a comunidade visitada. Um dos maiores pilares do negócio para conectar pessoas e projetos são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), como:

ODS 3: Saúde e Bem-Estar Na Amazônia, Nepal, África do Sul e Namíbia, voluntários podem apoiar o atendimento médico de comunidades com pouco acesso a serviços de saúde.

ODS 4: Educação de Qualidade – Voluntários podem atuar na África do Sul, Tailândia, Quênia ou Moçambique, auxiliando no acesso à educação para crianças dessas comunidades.

ODS 10: Redução das Desigualdades No Peru, África do Sul, Índia, Quênia e Senegal, voluntários têm a oportunidade de transformar a vida de comunidades carentes, promovendo acesso à educação e recursos básicos.

ODS 15 e 14: Vida Terrestre e Marinha – Destinos como Paraná, Santa Catarina, Bahia, Amazônia, África do Sul e Tailândia conectam voluntários com causas voltadas para a proteção e desenvolvimento ambiental.

A rede de cultura do voluntariado é construída como uma verdadeira colcha de retalhos: causas que conectam projetos a pessoas, transformando realidades e deixando marcas duradouras. Trabalhar com propósito proporciona experiências que continuam a impactar a vida de quem participou, tanto no coração quanto na mente.

“Já temos mais de 2.500 voluntários, 110 mil horas de trabalho voluntário, 60 mil pessoas impactadas e 200 projetos atendidos”, compartilha Eduardo.

O futuro e inovação do voluntariado

Segundo Eduardo, as viagens de voluntariado em escala global ainda são majoritariamente uma iniciativa individual. No futuro, ele espera organizar mais viagens em grupo e levar a cultura do voluntariado para o ambiente corporativo. Para o administrador, o discurso de ESG (Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança, em português) adotado por muitas corporações ainda está longe de ser plenamente colocado em prática.

Atualmente, a Exchange do Bem tem observado um movimento por parte das empresas para reduzir esse descompasso entre discurso e prática em relação ao ESG. Por isso, a organização tem desenvolvido e realizado projetos que promovam a imersão de empresas em ações voluntárias. Essas iniciativas podem incluir desde um dia em uma comunidade local até contatos regulares, como interações semanais ou mensais entre equipes corporativas e projetos sociais, além de aulas sobre práticas de voluntariado. Com esta uma nova frente de atuação, a Exchange do Bem expande seu escopo de atuação e geração de impacto socioambiental.

Um projeto feito por muitas mãos 

A semente da Exchange do Bem começou com o sonho de Eduardo. Germinou e começou a florescer com a entrada de dois sócios, mas antes que os ventos da pandemia arruinassem a colheita, o programa CoVida20, com o apoio de investidores e doadores, protegeu e regou a iniciativa. Assim, mesmo em um momento de crise mundial, o projeto pôde continuar gerando impacto e plantando novas sementes de trabalho voluntário e causas ao redor do mundo.

“Graças aos investidores, algumas crianças conseguiram ingressar na faculdade em Gana, pessoas receberam atendimento médico no Nepal, atendimentos odontológicos foram realizados na África do Sul, e brasileiros no Rio Grande do Sul começaram a reconstruir suas vidas. Tudo isso só foi possível porque as pessoas acreditaram em nós, no nosso sonho e no compromisso com o impacto”, conclui Eduardo.

O CoVida20 ajudou a manter o negócio vivo, mas foi a Exchange do Bem que, com esforço e resiliência, navegou pelas águas turbulentas, superou os desafios e voltou a fluir em sua missão: espalhar o bem em escala global. 

Atualmente, a Exchange do Bem conta com uma equipe responsável pelo atendimento aos clientes, organização das viagens e gestão interna. Eduardo dedica especial atenção à formação da equipe e à criação de oportunidades internas.

Exchange do Bem: A cultura do voluntariado

Se você acredita no poder da solidariedade e quer fazer parte de um movimento que transforma vidas, a Exchange do Bem oferece viagens pautadas em impacto através do voluntariado. Apoiando causas sociais e conectando pessoas em prol de um mundo mais justo, o trabalho só é possível graças à força de uma comunidade engajada. 

Pensando em viajar? Venha fazer parte desta cultura do voluntariado do bem! Siga as redes sociais, conheça mais sobre os projetos e seja parte dessa transformação.

Abraços e até a próxima história! 🤗📖✨


A Trê Investindo com Causa estrutura e coordena programas de financiamento e fortalecimento para negócios com causa em parceria com diversas organizações filantrópicas e privadas. A instituição já mobilizou mais de R$ 23 milhões e já beneficiou mais de 80 negócios de impacto positivo.

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Beatriz Girão e Mariana Stamato

Time Trê de Marketing & Comunicação

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