Capítulo 14: Lápis de Cor – Recanto de conhecimento e acolhimento
Por Beatriz Girão | Trê Investindo com Causa Um sonho de menina que encontrou raízes e floresceu no coração da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Assim começa a história de Elzete Misquito, fundadora e diretora da Escola Recanto Lápis de Cor, que há 26 anos transforma vidas por meio da educação. Desde jovem, Elzete nutria o desejo de ter sua própria escola. Ao concluir o ensino médio, iniciou seu trabalho na recepção de uma escola e, ali, o carinho pelas crianças reacendeu e fortaleceu esse sonho. “Isso me motivou a fazer a formação de professora, especializações em administração escolar e educação especial, sempre sem parar de estudar”, conta Elzete, com a certeza que aprender é o caminho para ensinar melhor. Antes de abrir a Lápis de Cor, Elzete recebeu o convite de uma colega para montar uma escolinha na Rocinha. O projeto não prosperou, mas a paixão pela educação permaneceu. “Nos impactou muito, porque queríamos mesmo era ensinar, buscar realização profissional, não tanto o dinheiro”, conta Elzete. Foi então que Mauro, marido de Elzete, captou uma oportunidade em um prédio em construção na via principal da comunidade. Com o apoio da família e de alunos que a acompanhavam desde a primeira experiência, nasceu o Recanto Lápis de Cor – nome também inspirado por Mauro. “Meu sonho era fazer uma ONG, porque o meu desejo era trabalhar com as crianças da comunidade, aquelas realmente vulneráveis, cujas famílias precisavam dessa ajuda. Fui atrás de apoio e não consegui, então guardei essa documentação. Depois, fui para a iniciativa privada. Com isso, pude ajudar algumas crianças que não tinham condições de pagar, oferecendo bolsas de estudo. E assim, a cada ano, o número de crianças foi crescendo”, compartilha Elzete. Os desafios de uma educação acessível com propósito Desde o início, a caminhada foi marcada por desafios. A regularização da documentação da escola, conquistada em 1999, foi um processo longo e difícil, mas fundamental para garantir a continuidade do sonho. A cada obstáculo, a determinação de Elzete e o apoio de sua rede de afeto mantiveram o projeto vivo: “Eu não tive apoio nenhum. A vontade que eu tive na ocasião era desistir, mas meu esposo, minha mãe, meu pai e minhas irmãs falaram: ‘Você não pode desistir’”. Ao longo dos anos, a Lápis de Cor viveu períodos de crescimento e também enfrentou crises profundas. Em 2018, a migração de alunos para escolas públicas reduziu significativamente o número de matrículas, mas a Lápis de Cor resistiu e manteve as portas abertas. Logo depois, em 2020, a pandemia da Covid-19 trouxe novos impactos: ensino remoto, dívidas acumuladas e perda de alunos. “Fiquei com menos da metade dos alunos e muitas dívidas. Pensei em fechar, mas fomos levando, mesmo com o número reduzido de pagantes. Fomos negociando, aqui e ali, jogando algumas coisas para frente. Outras não tiveram negociação, como, por exemplo, o aluguel da escola. Não conseguimos redução. Assim, nos meses em que a escola ficou fechada, trabalhamos de casa, online, e tivemos que arcar com esse valor”, conta Elzete. Em 2024, diante de um cenário financeiro crítico, Elzete quase encerrou as atividades da escola: “Eu estava decidida a fechar a escola, o que me deixou muito triste e depressiva”. Nesse momento, a rede de apoio de Elzete e da Lápis de Cor se fortaleceu. Maria José, mentora financeira indicada por Ana Fontes, falou sobre o Programa Multiplica Educação, idealizado pela Trê em parceria com a credsystem e motivou que fizesse a inscrição no programa. Ainda desconfiada, sabendo que não tinha condições de assumir mais um empréstimo, Elzete se surpreendeu ao entender o propósito do Programa: “Eu fui totalmente incrédula, mas logo percebi que o objetivo era dar as mãos e me levantar diante de uma situação difícil”. Lançado em 2024, o Multiplica Educação é uma iniciativa que apoia empreendimentos e organizações voltados a ampliar o acesso à educação de qualidade para as classes C, D e E. Com duração prevista até 2027, a Trê e a Credsytem buscam fortalecer esses negócios para que ampliem seu impacto social, oferecendo uma jornada que inclui diagnóstico de oportunidades, mentorias especializadas e acesso a capital incentivado (crédito sem juros). Dez iniciativas foram selecionadas para participar dessa edição e já estão em processo de desenvolvimento, entre elas, a Lápis de Cor. Ao ser aceita no Multiplica Educação, Elzete entrou em contato com os mentores Maria José e Daniel, da credsystem, recebeu orientação na escola e viu novas perspectivas: “Eu estava de cabeça baixa e agora ergui a cabeça. Aprendi a enxergar a importância não só do que nós fomos, mas que ainda somos. Vejo nesse projeto uma iniciativa muito importante, principalmente para mim, que realmente tinha tomado a decisão de fechar a escola. Recebi uma mão estendida para o trabalho da escola. É uma luz no fim do túnel”, relata Elzete.Com mentoria de Daniel e Maria José a escola começou a se estruturar novamente, enxergando possibilidades de recuperação, crescimento e recebendo o acolhimento que Elzete sempre dedicou aos alunos, mas que não havia recebido para seu negócio: “Daniel e Maria José me dão uma injeção de ânimo, alegria, esperança e motivação”. Impacto medido por histórias O impacto da Lápis de Cor se revela e exemplifica em histórias como a de Samuel: Natural de Manaus (AM), vive na Rocinha com sua mãe e não tinha sido alfabetizado aos 8 anos. Com dificuldades em outras escolas, sem apoio da direção e com uma rotina complexa pela alta carga de trabalho da mãe, Elzete propôs matriculá-lo na Lápis de Cor com bolsa integral. Na nova escola, Samuel encontrou um ambiente acolhedor, com ensino gratuito, alimentação adequada e acompanhamento individualizado. Vindo de uma instituição que não o atendia de forma inclusiva, chegou sem saber ler ou escrever. Em menos de um ano na Lápis de Cor, aos 9 anos, já aprendeu a ler, realiza contas básicas de matemática e se alimenta melhor. “Essa vivência real mostra claramente o quanto uma educação acolhedora, aliada a suporte alimentar e atividades físicas, faz
Capítulo 13: Café Épico – Onde o sabor encontra o propósito
Por Beatriz Girão | Trê Investindo com Causa Entre buzinas e calçadas quentes do Rio de Janeiro, um aroma persistente e acolhedor anuncia que ali nasceu algo especial. Não é apenas café: é uma história de amor, cultura e transformação. O Café Épico surgiu do encontro improvável entre uma assistência técnica de máquinas e um sonho maior: oferecer mais do que uma bebida, entregar experiências que conectam pessoas, valorizam quem planta e inspiram quem consome. Uma jornada que completa uma década de impacto e hoje conta com cinco unidades espalhadas pelo Rio de Janeiro nos bairros da Gávea, Maracanã, Leblon, Ipanema e Centro. À frente dessa jornada estão Alexandre e Nívia, um casal que viu no café uma ferramenta de mudança e decidiu usá-la para construir, grão a grão, um negócio que mistura afeto, justiça social e impacto positivo. Paixões que viram negócios sustentáveis: Para Alexandre e Nivia, cultura e café são uma combinação intrínseca. Ao cursarem Produção Cultural no Instituto Federal do Rio de Janeiro, se aproximaram por compartilharem das mesmas paixões, o que logo floresceu em um amor e parceria de vida do casal. Fundadores da Arábica Serviços, empresa de assistência técnica para máquinas de café, Alexandre e Nívia entenderam o grande potencial do mercado de café. Pelo contato próximo e confiança dos clientes, perceberam que muitos consumidores investiam em máquinas de alta qualidade, mas usavam grãos de baixo padrão, prejudicando o funcionamento dos produtos, causando manutenções frequentes. A paixão por café de qualidade e bom atendimento ao público do casal os incentivava a começar o próprio negócio no ramo. Uma cafeteria disruptiva, que fornecia uma experiência cultural junto a sabores únicos de café. “O Alexandre sempre teve uma veia acadêmica muito forte — sempre pesquisando, lendo, buscando entender mais sobre o universo do café. Antes de fundar a Arábica, ele trabalhava com uma marca italiana conhecida, prestando assistência técnica para as máquinas de café aqui no Brasil. Quando decidiu sair, abriu sua própria empresa, focada em assistência técnica e mergulhada no mundo do café. Já por volta de 2012, ele percebeu, através de estudos e observação de mercado, que o consumo de cafés de melhor qualidade estava crescendo mais rápido do que o de cafés tradicionais ou extra fortes. Foi aí que ele viu o potencial real de trabalhar com cafés especiais”, conta Nívia. O Café Épico começou com uma revenda de café, mas atritos com os fornecedores sobre a qualidade dos grãos os levaram a internalizar a operação de seleção e torra do café. Assim, em 2014, Alexandre e Nivia realizaram sua primeira torra de café especial, tornando-se a primeira torrefação especializada no Rio de Janeiro. A qualidade dos grãos, máquinas especializadas e o bom atendimento com os clientes fez com que o negócio ganhasse destaque e crescesse se tornando uma referência no ramo da capital carioca, que completa uma década de existência em 2025. Valores que pautam a qualidade Com a expansão do negócio, duas unidades do Café Épico estavam consolidadas no Rio de Janeiro, Alexandre e Nivia sempre se preocuparam em refletir os valores do negócio em cada sede. Pautado na empregabilidade justa e relação digna com funcionários e produtores parceiros, a atenção do negócio vai além do produto, preserva uma relação e conexão humana com todos que passam pelas cafeterias – tais valores são reconhecidos e admirados por clientes e colaboradores do Café Épico. “O Café Épico nasceu com a visão de ser uma empresa que oferece todas as soluções para quem precisa de café — pensamos café em todas as etapas. Mas, além disso, buscamos ser reconhecidos como uma empresa justa, tanto pelos clientes quanto pelos nossos colaboradores. Na cadeia do café, é comum o produtor, que passa o ano inteiro na lavoura, ser prejudicado na hora da colheita, quando compradores pressionam para baixar o preço. Nós fazemos diferente: mantemos relações consistentes com produtores, comprando de forma regular e pagando valores acima da média do mercado. Isso garante previsibilidade para o produtor e incentiva o cuidado com a qualidade do café. Mesmo estando longe fisicamente, nossa relação é pessoal — queremos que ele saiba que pode contar com o Café Épico todos os anos“, conta Alexandre e Nivia. A jornada do Café Épico não foi isenta de desafios. No início de 2020, uma nova unidade no bairro da Gávea dentro do Museu Histórico do Rio de Janeiro havia sido inaugurada. Um local estratégico e que materializava a união da paixão que uniu o casal: café e cultura. Mesmo com o sucesso da inauguração, dois dias após a abertura da cafeteria, as restrições causadas pela pandemia da Covid-19 fizeram com que as portas recém abertas fossem temporariamente fechadas. CoVida20: Trê & Café Épico Em meio a crise global do vírus da Covid, a adaptabilidade e a resiliência foram cruciais para manter o Café Épico funcionando. O apoio do Programa CoVida20, desenvolvido em parceria entre a Trê, Sistema B, Capitalismo Consciente e Din4mo, forneceu apoio financeiro para que o negócio seguisse ativo. O CoVida20 foi um Programa de financiamento para negócios de impacto comprometidos com a manutenção de emprego e renda durante a pandemia. O Programa reuniu diferentes perfis de investidores e doadores para oferecer aos negócios empréstimos em condições acessíveis e coerentes com o momento atual, visando manter negócios vivos durante a crise global. O financiamento coletivo e o apoio estratégico da Trê foram essenciais para superar os desafios financeiros e de mercado. Com os recursos financeiros do Programa o Café Épico intensificou sua presença online e no e-commerce, o que foi fundamental para continuar atendendo os clientes e mantendo os funcionários. “Durante a pandemia, conseguimos atravessar todo o período sem demitir ninguém. Isso só foi possível graças ao apoio da comunidade — das pessoas que continuaram comprando online, dos nossos clientes e parceiros. Foi um momento difícil, mas esse suporte fez toda a diferença para que a gente pudesse manter nossa equipe unida e seguir em frente, mesmo diante dos desafios causados pela Covid-19″, relata o casal. Ao participar do CoVida20
Capítulo 12: Moradigna – Reformando casas, reconstruindo histórias
Por Beatriz Girão | Trê Investindo com Causa Moradias sem lar Matheus Cardoso cresceu no Jardim Pantanal, uma comunidade no extremo leste de São Paulo, com um incômodo: as reformas em sua região, por mais frequentes que fossem, eram sempre recorrentes e precárias, com alta demanda e pareciam não apresentar resultados que durassem a longo prazo. Ao compreender as razões dessa necessidade constante, sentiu-se motivado a desenvolver um negócio que oferecesse soluções de reforma duradouras e que melhorassem efetivamente a vida das famílias da comunidade. Ainda na universidade, em 2015, enquanto cursava engenharia civil na Universidade Presbiteriana Mackenzie como aluno do Prouni, Matheus teve seu primeiro contato com o empreendedorismo por meio de uma palestra acadêmica. O desejo de retribuir à comunidade onde cresceu e de levar soluções para moradias insalubres se intensificou ao conhecer o ecossistema de impacto socioambiental positivo. Foi então que percebeu sua missão: garantir que as pessoas pudessem viver com dignidade em suas próprias casas. Assim nasceu o Moradigna, como uma solução para melhorar a qualidade de vida de famílias em comunidades por meio de reformas completas, acessíveis e sustentáveis, oferecendo soluções definitivas para os desafios das moradias insalubres. “Sempre havia alguma reforma acontecendo na comunidade. Eu via casas que já tinham passado por várias intervenções, mas nenhuma era definitivamente eficiente. É um movimento pulsante que fez parte da minha realidade”, conta Matheus. CoVida20: Trê & Moradigna Na visão do Matheus, empreender é como entrar sozinho no mar, guiando-se apenas pelos sentidos imediatos: tato, olfato, visão (ou a falta dela) e atenção aos ruídos das ondas e do vento. Matheus se viu sozinho nessa jornada, mas essa solidão foi passageira. A rede do ecossistema de impacto o acolheu para que o Moradigna ganhasse vida. Mesmo com apoio, em 2020, durante a pandemia da Covid-19, os desafios para pequenos e novos empreendedores se intensificaram. Como continuar pedindo licença para entrar na casa das pessoas se a locomoção estava restrita? Na pandemia, a missão do Moradigna se tornou ainda mais urgente. As pessoas precisavam permanecer em casa por segurança, mas muitos lares não ofereciam essa proteção. A falta de infraestrutura comprometia a saúde das famílias, causando problemas recorrentes que iam além do vírus da Covid-19. Vídeo publicado em 2020 durante as inscrições para o CoVida20 “Uma casa com infiltração, falta de saneamento básico, estrutura frágil, sem ventilação e sem isolamento térmico são fatores prejudiciais não apenas à saúde física, mas também mental. O lar é um refúgio onde buscamos conforto e paz, e sua influência em nossa saúde não pode ser subestimada”, compartilha Matheus. Diante desse cenário, em 2020, a missão de Matheus ganhou ainda mais força: melhorar a qualidade de vida das famílias para que a saúde fosse preservada dentro de casa, em vez de comprometida. Se a ameaça do vírus estava do lado de fora, ele precisava garantir que o lar das famílias fosse um ambiente seguro e acolhedor. Por seu contato com o ecossistema de impacto, o engenheiro já conhecia a Trê. Com a abertura para o Programa CoVida20, desenvolvido em parceria entre a Trê, Sistema B, Capitalismo Consciente e Din4mo, Matheus enxergou uma oportunidade de fortalecer seu negócio e continuar garantindo moradias dignas para famílias de comunidades. Com o apoio do Programa CoVida20, o Moradigna se transformou em diversos aspectos, mas o que se destaca e que ficou como legado para o negócio foi a transformação do que antes era feito no boca a boca para uma plataforma digital. “Senti que era um risco muito grande. O medo de o mercado nunca voltar ao normal ou de a empresa deixar de existir daquele jeito causava receio. Por isso, nossa tese era que precisávamos de algo estratégico. Decidimos antecipar o lançamento do Moradigna Online para aquele momento, em que tudo precisava ser feito a distância”, relata Matheus. Além de acelerar o processo de digitalização do Moradigna — que se tornou o principal meio de divulgação e comunicação do negócio —, o CoVida20 cumpriu seu propósito como programa: garantir que negócios socioambientais continuassem vivos e gerando impacto positivo. “A relação com a Trê foi fundamental para definirmos o que entendemos como um modelo saudável de empréstimo e financiamento social. Mesmo diante dos desafios, como atrasos e eventuais turbulências do momento, sempre mantivemos uma relação tranquila e transparente. Sabíamos que aquele aporte tinha um propósito: continuar gerando impacto socioambiental positivo. Hoje, o Moradigna se consolidou como um dos principais negócios sociais do país“, conta Matheus. Moradigna como um catalisador social nacional Moradigna completa uma década de existência neste ano e segue crescendo! O negócio, que começou atuando nas periferias da capital paulista, hoje está presente em cinco capitais: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Vitória (ES) e Recife (PE). Nos seus dez anos de história, o Moradigna já impactou mais de 12 mil pessoas, realizando mais de três mil reformas. Sempre pautado pela eficiência, empatia (tanto com o time quanto com os clientes), colocando o cliente no centro e com a consciência de que “com pouco se faz muito”. A digitalização do processo permitiu a ampliação da atuação do negócio. Nas diversas capitais onde o Moradigna está presente, os clientes entram em contato por meio das plataformas digitais. Como suporte presencial, um embaixador local acompanha a reforma diretamente na residência, garantindo o alinhamento com os padrões do Moradigna. A acessibilidade em preço, mão de obra e prazo de reforma são fatores essenciais para o modelo de atuação do Moradigna. Matheus lembra de sua infância e adolescência na comunidade, onde as reformas eram inacessíveis, principalmente por falta de financiamento. Por isso, o negócio oferece crédito por meio de parceiros, com taxas justas e parcelas que cabem na realidade das famílias. “O Moradigna não inventou a reforma. Reformas existem desde que o mundo é mundo. Mas o serviço de reforma, que sempre foi oferecido por empreiteiras e escritórios, nunca foi acessível para essa população. A inovação está em pegar um serviço que antes não chegava a essa parcela da sociedade e, com criatividade e estratégia,
Capítulo 11: Olha o Peixe! – Pescado caiçara que fortalece comunidades e protege o mar
Por Beatriz Girão e Mariana Stamato | Trê Investindo com Causa A nascente de uma inquietação O mar guarda segredos que poucos conhecem. Essa relação íntima com o oceano é fruto de gerações de conhecimento e do contato constante com a água desde a infância. Muitos que dominam esses segredos estão no litoral do Paraná — pescadores locais que não têm medo de desbravar o mar. Criado próximo da pesca artesanal desde a infância, Bryan Müller conheceu desde muito cedo como é a rotina em uma canoa de pesca, em Santa Catarina, ao lado de seu pai. Já adulto, em 2018, enquanto atuava na atividade portuária, começou a sentir um incômodo: o setor privado da região estava impactando a atividade pesqueira, mas não conseguia compensar esse impacto de forma eficiente, embora muitas vezes até tentasse. Isso despertou nele uma forte autocrítica em relação ao seu papel como profissional, que compreende as vulnerabilidades da pesca artesanal, e impulsionou sua mudança de atuação, buscando contribuir com a valorização do trabalho nessas comunidades e por uma renda mais justa nelas. A partir dessa inquietação, Bryan ingressou em um mestrado, mas a dúvida sobre como poderia ajudar as comunidades pesqueiras sempre o acompanhava. Ao longo dos meses, se aprofundou no estudo sobre a segurança alimentar associada à pesca artesanal, e foi uma dos coordenadores de um projeto de extensão participativo com pescadores do Paraná, onde teve a oportunidade de vivenciar de perto o dia a dia deles, compreendendo seus desafios e anseios. A semente da Olha o Peixe! já estava enraizada nele. O desafio era descobrir como tornar o projeto viável fora do papel. A partir de pesquisas de mercado, conversas com pessoas de confiança e depoimentos de pescadores e da comunidade, Bryan percebeu qual poderia ser seu papel: ser a ponte entre pescadores locais e consumidores, ampliando as oportunidades de comércio para os trabalhadores e garantindo um retorno justo pelo seu trabalho. A inovação no mercado da pesca Um dos desafios de empreender é entender como destacar a inovação do seu negócio em meio a tantos outros já existentes. Para Bryan, sua ideia era tão inovadora que não havia referências de negócios semelhantes naquela área ou com o mesmo modelo de atuação. As possibilidades de criação eram inúmeras e, para não se perder nesse universo de opções, Bryan sempre reforçava a missão do negócio: fortalecer a pesca artesanal paranaense e, com isso, aumentar a valorização do que é pescado em nossos mares. “O preço de mercado geralmente se baseia no valor de venda para estabelecimentos. Aqui, temos como premissa definir um valor justo de compra junto com os pescadores, e só então negociar com restaurantes e consumidores finais”, conta Bryan Müller. A Olha o Peixe! vai além da simples venda de pescado. O propósito é comunicar, educar e levar à casa dos consumidores peixes de qualidade, provenientes de uma pesca que respeita a rotina do mar e remunera os pescadores locais de forma justa. No início, Bryan gerenciava o negócio, embalava os peixes, rotulava os produtos e fortalecia a ponte que a Olha o Peixe! buscava construir entre pescadores e consumidores. Um dos principais desafios era oferecer um preço competitivo no mercado, garantindo que o valor pago pelo pescado fosse justo tanto para o pescador quanto para o cliente. Um trabalho que exige diálogo, humanidade e empatia. Comunicar aos comércios e clientes o valor do trabalho dos pescadores e como isso se reflete na qualidade do pescado foi um dos grandes desafios na estruturação do negócio. Essas questões também impactam a conscientização ambiental da comunidade: qual é a procedência do peixe vendido em peixarias comuns? O trabalho dos pescadores é valorizado e remunerado de forma justa? O ritmo do mar, como nos períodos de reprodução de algumas espécies, é respeitado? A Olha o Peixe! enfrenta esses desafios diariamente, com um propósito voltado ao impacto socioambiental positivo, sempre em defesa da causa pesqueira. “Nosso esforço é por uma causa da qual temos orgulho em promover, guiados pela complementaridade e pelo respeito, onde ninguém sabe mais do que o outro. A informação conecta nossa rede, a palavra é um compromisso e, ao cuidarmos do meio ambiente, também cuidamos de nós. Tudo isso porque trabalhamos para gerar sorrisos”, explica Bryan. Trê, Parsifal21 & Olha o Peixe! Em 2020, o vírus da Covid-19 abalou o mundo e obrigou os negócios a se reestruturarem no que passou a ser conhecido como “o novo normal”. Enquanto muitos buscavam refúgio em casa devido à pandemia da Covid-19, a Olha o Peixe! seguia presente no mar. Adaptando-se à nova realidade no litoral, o negócio foi potencializado porque entregava os pescados diretamente na casa dos consumidores de Curitiba e região isolados em casa, enquanto peixarias e restaurantes estavam fechados. Naquele período, um dos grandes desafios enfrentados globalmente durante a pandemia era: “como continuar as atividades de um pequeno empreendimento?”. A Olha o Peixe! conseguiu gerar ainda mais impacto positivo e as vendas cresceram, levando alimento local saudável aos consumidores, e sendo um dos principais canais de escoamento da produção dos pescadores do litoral, que enfrentavam uma pandemia sem os tradicionais compradores atuando no mercado. Com a reabertura dos comércios locais e a possibilidade de as pessoas voltarem às ruas, as vendas da Olha o Peixe! caíram. Os clientes começaram a priorizar outros alimentos e, libertos novamente, alguns preferiam visitar os estabelecimentos físicos (retornando à rotina de compras em peixarias) ou frequentar restaurantes. Em 2022, a Olha o Peixe! se conectou com a Trê. Como parte do Programa Territórios Regenerativos, fundado pela Trê em parceria com a Parsifal21, o negócio obteve um empréstimo. Por meio da plataforma de investimento P2P (peer-to-peer) Trê-MOVA, a Olha o Peixe! conseguiu um financiamento para continuar desenvolvendo seu impacto ambiental e comercial positivo no litoral do Paraná. Bryan compartilha que o financiamento foi além dos números: ele recebeu um apoio construtivo que o ajudou a regularizar pendências do negócio e a traçar os próximos passos. “Essa gordura financeira nos permitiu voltar a sonhar. Agora podemos respirar e
Capítulo 10: Exchange do Bem – Transformando Viagens em Ações de Impacto
Por Beatriz Girão e Mariana Stamato | Trê Investindo com Causa Semeando a cultura do Bem Eduardo Mariano cresceu imerso na cultura do voluntariado. Desde a infância, acompanhava seus pais em projetos voluntários em eventos da igreja frequentada pela família. Também sempre viu seus pais auxiliando comunidades no acesso a cestas básicas ou dando apoio a pacientes com câncer. Mesmo sem compreender completamente aquele universo de trocas e solidariedade, desde cedo germinava nele a semente da paixão pelo voluntariado. “Meus pais sempre foram pessoas que ajudaram todos ao redor, mesmo quando a situação financeira deles era delicada. Com o passar dos anos, conforme a realidade financeira deles melhorava, eles passaram a ajudar ainda mais, com pequenas atitudes”, relata Eduardo. Em 2013, buscando expandir seus horizontes, Eduardo teve a oportunidade de viajar como voluntário para o Nepal. Durante cinco semanas, ajudava em um orfanato com 34 crianças e dava aula de inglês para as crianças de uma pequena comunidade localizada perto do distrito de Bharatpur, região centro-sul do país. Ao retornar ao Brasil, sentiu que sua missão estava incompleta. A vontade de fazer mais por causas socioambientais o acompanhou durante todo o voo de volta. Essa “pulguinha atrás da orelha” de Eduardo não descansou em solo brasileiro. Dois anos após a experiência no Nepal e já de volta à vida corporativa no mercado financeiro, o administrador mergulhou em leituras sobre trabalhos voluntários ao redor do mundo e sobre o sistema econômico atual. Porém, ao invés de “saciar” a inquietação, essas reflexões a alimentavam ainda mais. Incomodado, Eduardo sentiu que precisava buscar um propósito maior em seu trabalho. As experiências no Nepal o acompanhavam durante a rotina, e a vontade de fazer mais crescia a cada dia. “Se ninguém continuar o que construí, qual foi o sentido da viagem?”, essa reflexão central foi o ponto chave para que ele decidisse deixar a antiga empresa e iniciar seu próprio negócio. Em 2016 a Exchange do Bem nasceu com a missão de tornar o mundo um lugar melhor: “Não vamos conseguir mudar o mundo, mas podemos deixá-lo melhor para quem já está aqui”. Como todo empreendedor, o início do negócio foi permeado por burocracias, mas sempre relembrava o propósito por trás de todo o esforço: “Conectar pessoas à projetos sociais ao redor do mundo”. CoVida20: Trê & Exchange do Bem A Exchange do Bem se conectou com a Trê em um dos momentos mais desafiadores do século XXI: a pandemia da Covid-19. Em 2020, Eduardo viu seu negócio quase voltar à “estaca zero”. Trabalhar com viagens enquanto o mundo inteiro se refugiava em casa era como remar contra a maré nos planos de espalhar o bem globalmente. Para a Exchange do Bem, antes do vírus, o negócio crescia de forma exponencial, com cerca de 50% de aumento anual. Porém, em fevereiro de 2020, as viagens começaram a ser canceladas, a receita caiu drasticamente, e surgiram desafios relacionados aos voluntários que já estavam em outros países e precisavam retornar ao Brasil. No momento em que negócios, rotinas e formas de trabalho tiveram que se reinventar completamente, não foi diferente para a Exchange do Bem. Ao longo dos primeiros meses permeados pelo vírus da Covid, a Trê desenvolveu o CoVida20. Um programa de financiamento para negócios de impacto comprometidos com a manutenção de emprego e renda durante a pandemia. O programa reuniu diferentes perfis de investidores e doadores para oferecer aos negócios empréstimos em condições acessíveis e coerentes com o momento atual, visando manter negócios vivos durante uma crise global. Eduardo chegou ao CoVida20 “de paraquedas”. Durante uma conversa emocionante e sincera com o diretor da Trê, Otávio Lourenção, Eduardo e outros dois sócios expressaram o propósito e missão do negócio. A desejada vaga no programa desenvolvido em parceria entre a Trê, Sistema B, Capitalismo Consciente e Din4mo, foi conquistada e, com isso, um sentimento de alívio, parceria, acolhimento e, sobretudo, a esperança de que havia um futuro para a Exchange do Bem. O administrador relata que a experiência trouxe grandes aprendizados como empreendedor. O empréstimo gerou responsabilidade para o negócio, que foi além do financeiro, mas um voto de fé e confiança. “A mensagem da Trê e dos investidores era clara: ‘Acredito no teu sonho, e você vai continuar entregando seu impacto. É uma fase ruim, mas vamos passar juntos, e você vai continuar fazendo o que faz’”, conta Eduardo. Com o CoVida20, a Exchange do Bem conseguiu manter a maioria dos colaboradores da equipe – em um momento de demissão em massa por conta da pandemia. Além do respaldo financeiro, houve a sensação de que as pessoas acreditavam no negócio e na importância da continuidade de seu impacto. Isso trouxe a oportunidade e a tranquilidade necessárias para Eduardo crescer como empreendedor. Ser acolhido pela comunidade de impacto da Trê gerou um verdadeiro “quentinho no coração” para todos na Exchange do Bem. Atualmente, o programa Covida20 segue ativo em sua fase final, muitos negócios já finalizaram o pagamento dos empréstimos recebidos e outros continuam efetuando o re-pagamento aos investidores. Com muita gratidão e orgulho pela trajetória, Eduardo compartilha que em novembro de 2024 a Exchange do Bem concluiu a retribuição a cada pessoa que acreditou e apoiou o negócio, mesmo quando tudo parecia perdido. Os investidores que acreditaram, receberam seus valores corrigidos de volta e podem continuar gerando impacto ao reinvestir esses valores em novas causas e programas disponíveis na plataforma da Trê. Em maio de 2024, chuvas em volumes inéditos causaram enormes perdas de vidas e de patrimônios públicos e privados no Rio Grande do Sul, estado natal do Eduardo e da Exchange do Bem. Assim, eles criaram uma ação emergencial de captação de recursos e doação de bens que pode levar apoio a muitas pessoas, mostrando o seu constante engajamento com apoio e voluntariado. A rede do Bem O impacto gerado pela Exchange do Bem é global: a rede criada pelo negócio mantém projetos, voluntários e comunidades unidas de maneira integrada e significativa. O processo de contato, seleção e conexão dos voluntários
Capítulo 9: diHelena – Como a Pergunta de uma Criança Transformou uma Comunidade
Por Mariana Stamato | Trê Investindo com Causa A história da diHelena começa com uma pergunta simples, mas poderosa: “Por que compramos morangos do mercado e não plantamos em casa?” Uma Pergunta que Plantou uma Semente Essa curiosidade de uma menina de 5 anos chamada Helena inspirou seus pais, Andrea e Rubens Rocha Pires, a refletirem sobre a origem dos alimentos que traziam à mesa. Motivados pelo desejo de oferecer uma alimentação saudável e consciente para sua filha, eles decidiram cultivar morangos orgânicos em sua propriedade familiar em Quatro Barras, na região metropolitana de Curitiba. Assim, a primeira colheita satisfez os desejos de Helena e acabou também dando vida à primeira produção de geléias orgânicas da família, originando algo muito maior que um novo negócio. diHelena foi criada como um compromisso para uma alimentação saudável e a preservação do meio ambiente no entorno da propriedade. O que começou como uma pequena iniciativa familiar, aos poucos, com muito cuidado à estratégia, se expandiu, levando hoje à produção e comercialização de mais de 40 produtos artesanais e orgânicos. De uma Pequena Iniciativa a um Grande Impacto A diHelena é um exemplo inspirador de como o dinheiro pode fluir de maneira saudável nas mãos de pequenos negócios familiares que se preocupam com o impacto socioambiental em sua micro-região. O valor central da diHelena sempre foi a preservação ambiental, alinhando a produção com práticas sustentáveis e respeitosas ao meio ambiente, já que a propriedade está localizada em uma Área de Preservação Ambiental (APA). Além disso, a empresa fomenta a economia local, comprando de fornecedores da região e criando oportunidades para pequenos produtores e empreendedores. Andrea, fundadora e mãe da Helena ressalta: “Queremos mostrar que é possível produzir de forma sustentável e que isso tem um valor imenso.” O Papel do Programa Territórios Regenerativos diHelena foi selecionada para participar do Programa Territórios Regenerativos e como resultado de uma série de atividades dessa jornada recebeu também em 2023 um investimento para financiar etapas de estruturação e expansão do negócio. O apoio da Trê Investindo com Causa e do Programa trouxe estrutura e conhecimento ao negócio, permitindo que o casal ampliasse suas operações e gerassem um impacto ainda maior em sua comunidade. O Programa Territórios Regenerativos é uma colaboração entre a Trê e a Parsifal21 “reúne esforços para promover uma agenda de empreendedorismo de impacto e prosperidade local em diferentes territórios do Brasil, com a missão de co-criar uma Nova Economia que envolve o ser humano e a natureza, juntos e de forma indissociável”. Com o apoio estratégico da Fundação Grupo Boticário, o programa atua na Grande Reserva da Mata Atlântica e se concentra em fomentar cadeias de valor produtivas da sociobiodiversidade, através de ações de desenvolvimento organizacional e a articulação de diversos atores locais. A Conquista do Selo ARTE e o início de uma nova fase diHelena se orgulha de ser a terceira empresa do Paraná a obter o selo ARTE, uma certificação fundamental para produtos artesanais de pequena escala. Essa conquista, que permite à diHelena comercializar seus produtos em todo o Brasil, foi resultado de um processo estruturado de apoio financeiro e mentoria. Mais do que um investimento financeiro, as mentorias da Parsifal21 e da jornada oferecida pelo Programa Territórios Regenerativos foram decisivas para orientar Andrea e Rubens na organização e separação das linhas de produção, algo essencial para atender às rigorosas exigências da certificação. Antes do selo, a produção de laticínios artesanais aguardava liberação por utilizar o mesmo espaço e maquinário de outros produtos. A clareza trazida pelas mentorias permitiu que o casal enxergasse novos caminhos, planejar a construção de uma nova área de produção e atender às normas do setor com segurança alimentar. Como Rubens, fundador, reflete: “O selo ARTE foi um divisor de águas para nós. Superou as expectativas do simples recebimento do investimento financeiro; foi um aprendizado constante.” A combinação de conhecimento estratégico, suporte técnico e recursos financeiros possibilitou à diHelena não apenas expandir sua capacidade produtiva, mas também alcançar um novo padrão de qualidade em seus laticínios artesanais, consolidando-se como referência na região. Muito Além do Retorno Financeiro: O Impacto Local Para os investidores que confiaram na diHelena, o retorno é muito mais do que financeiro.O impacto gerado pelo investimento vai além dos paredes da empresa, reverberando na comunidade local por meio da geração de empregos e do fortalecimento da agroecologia. Desde o início do projeto, a empresa registrou um aumento de 20% na geração de empregos. Além disso, a loja da fábrica teve um crescimento de 30% no movimento com o início da colheita de frutas em agosto de 2024. Na esfera ambiental, a parceria com um produtor de São José dos Pinhais ampliou em 3 hectares a área preservada e livre de agrotóxicos, localizada na Grande Reserva da Mata Atlântica (GRMA). Com um SROI (retorno social sobre o investimento) de 11,22, a diHelena demonstra como empreender com causa pode gerar resultados que impactam positivamente o meio ambiente e a economia local. A diHelena sonha expandir ainda mais seu impacto, com planos de oferecer cursos em agroecologia e empreendedorismo, transmitindo seu conhecimento para outras pessoas e regiões. Empreender com causa no Brasil, especialmente em pequenos negócios familiares, é desafiador, mas repleto de oportunidades. A diHelena mostra como o fluxo saudável de dinheiro pode sustentar comunidades inteiras. “Cada escolha de compra pode fazer a diferença. Cada produto que vendemos é uma contribuição para um futuro mais sustentável,” afirma Andrea. Ao apoiar negócios que geram impacto positivo em suas microrregiões, investimos em uma economia local próspera e na preservação cultural. A história da diHelena nos lembra que cada escolha de compra é uma oportunidade de promover mudanças significativas. Para quem estiver na região e quiser apoiar e conhecer o trabalho da diHelena, a loja está aberta aos sábados e também é possível agendar visitas à fábrica e à fazenda. Além disso, a diHelena promove iniciativas educacionais sobre agroecologia, contribuindo para a conscientização e o desenvolvimento sustentável. Venha fazer parte dessa história! Para mais informações, siga as redes sociais da diHelena
Capítulo 8: Caaporã – Semeando Vida e Futuro em cada Muda Plantada
Por Mariana Stamato | Trê Investindo com Causa Rodrigo sempre sentiu que a terra “guardava segredos”, cresceu em meio à vegetação costeira de Balneário Camboriú e aprendeu cedo que plantar no barro vermelho, denso e estável, é diferente de plantar na areia — essa areia que nunca para de se mover, que ora é levada pelo vento, ora pelas marés. Essa lição o desafiou para a maior jornada de sua vida: transformar o terreno do avô em um viveiro de mudas de vegetação costeira, restinga, mangue e marisma, conhecido como Caaporã, em um pilar de regeneração ambiental na região. Rodrigo Cesário Pereira Silva desenvolveu a Caaporã como uma resposta urgente às necessidades dos ecossistemas costeiros. A missão dele? Reconstituir a vegetação nativa em áreas que sofrem com a degradação, em um cenário onde as mudanças climáticas são cada vez mais imprevisíveis. Era como tentar enraizar vida em um terreno movediço, mas ele sabia que estava plantando mais do que mudas: estava semeando vida e futuro. A Jornada e o Compromisso Desde os tempos em que estudava oceanografia, Rodrigo sempre teve uma conexão profunda com o meio ambiente. “Quando comecei a trabalhar com o Rodrigo, percebi que não era só sobre plantar mudas, mas sobre entender a complexidade do ecossistema costeiro, como as dunas e a vegetação interagem para proteger a praia e manter o equilíbrio ambiental,” compartilha Dionatan A. Pootz, sócio responsável pela comunicação visual da empresa. “Foi esse conhecimento que me fez acreditar no projeto e querer usar a comunicação para envolver mais pessoas. Mostrar para as comunidades que cada muda plantada é um passo na proteção das nossas praias e no combate aos impactos das mudanças climáticas é algo que me motiva todos os dias.” “Você vê o verde tomando conta de uma área que era só areia amarela,” relembra Maria Eduarda Honrburg, engenheira e técnica em meio ambiente, que se uniu a Rodrigo nesse desafio. Ao falar sobre o impacto das primeiras mudas que plantaram juntos, ela descreve como, aos poucos, a paisagem árida se transformou em um oásis de biodiversidade. “É a ‘primavera’ que chega ali, onde antes só havia aridez”, relata, emocionada com o poder de regeneração que puderam testemunhar juntos. Mas o que a Caaporã faz vai além do verde visível. Ela se tornou um sonho coletivo. Várias pessoas que passaram e estão apoiando a Caaporã na sua empreitada, desde familiares, amigos, professores, sócios e apoiadores, sonham junto em tornar a organização uma cooperativa de serviços ambientais, reunindo a compreensão da necessidade da ação direta ao enfrentamento das mudanças climáticas através de ações baseadas na natureza e a paixão pelo meio ambiente. O viveiro não apenas cultiva mudas de espécies essenciais para a regeneração costeira — ele também elabora e desenvolve projetos de Educação Ambiental (EA), com intenção de promover a consciência individual e coletiva sobre as responsabilidades locais, comunitárias e globais, e inserir a ética ecológica ao cotidiano por meio das mudas de vegetação costeira. Atua também diretamente na captura e armazenamento do carbono azul. Esse carbono é sequestrado por ecossistemas como os manguezais, marismas (ecossistemas de transição entre mar e rio) e gramas marinhas, que são até mais eficazes do que florestas terrestres na absorção e armazenamento do carbono que contribui para o aquecimento global. Assim, cada muda cultivada na Caaporã representa não só vegetação, mas uma defesa natural e essencial contra as mudanças climáticas. Desafios na Areia: A Força da Resiliência O caminho inicial para essa regeneração foi tudo, menos fácil. Nos primeiros anos, Rodrigo, Maria Eduarda e Dionatan, enfrentaram desafios gigantescos. A instabilidade financeira e a falta de recursos ameaçavam o sonho de manter a Caaporã de pé, lembra Maria Eduarda. Foi nesse cenário que a passagem pelo Programa Territórios Regenerativos, desenhado pela Trê Investindo Com Causa em parceria com Parsifal 21, chegou como uma âncora. Através da combinação de doação e mentoria estratégica, o programa deu a Caaporã o impulso necessário para superar as barreiras financeiras e expandir suas operações. Com o apoio do programa, Rodrigo teve a tranquilidade necessária para se dedicar ao mestrado, aproveitando o conhecimento adquirido para contribuir ainda mais no amadurecimento e crescimento da Caaporã, enquanto Duda focava e cuidava do viveiro, garantindo que as mudas pudessem ser preparadas e futuramente distribuídas a um número maior de áreas vulneráveis, além de fortalecer a equipe que trabalha junto. O Papel da Trê: Um Futuro Sustentável para a Caaporã A passagem pelo programa trouxe mudanças significativas, permitindo não só a ampliação de seus plantios, mas também a melhoria da infraestrutura. Com os recursos recebidos, o sistema de rega foi modernizado e automatizado, além de aumentar a sua capacidade com a aquisição de 2 caixas d’água, novas bombas, mangueira e aspersores. Também foram adquiridas novas mesas, bandejas e tubetes aumentando a capacidade de produção do viveiro para 17 mil mudas. Devido a grande demanda, foi adquirido e construído uma estufa especialmente para manguezal, com um ambiente propício para a sua produção e tamanho suficiente para conseguir atender os clientes. Assim, a disponibilidade de água para o viveiro foi aumentada, essencial para expandir a produção de mudas e material estruturante para plantio. Conseguiram mais autonomia para a logística com a compra de um carro, o que permitiu que a Caaporã conseguisse aumentar suas entregas e coletas de mudas, ganhando escala em outras regiões. Já a contratação de prestadores de serviços, permitiu atender ao crescente volume de demandas, trazendo mais eficiência à operação. Com a profissionalização das operações outros objetivos também foram alcançados: o aumento da área de recuperada de restinga e manguezal de 300m² para 1 hectare, aliado a esse suporte, impulsionou o faturamento, que saltou de R$ 30 mil em 2023 para R$ 98 mil em 2024. Os serviços foram diversificados com a ampliação da base de clientes, que saltou de 9 para 14, o que possibilitou o oferecimento de oficinas de educação ambiental, impulsionando a venda de mudas que já atingiu mais de 8 mil neste ano. Essa expansão não foi apenas financeira, mas também de
Capítulo 7: Conheça a História da Kiro – Sabor, Sustentabilidade e um Novo Jeito de Socializar
Por Mariana Stamato | Trê Investindo com Causa Já pensou em uma bebida que vai além do sabor e da refrescância, unindo saúde e impacto social em cada gole? A Kiro surgiu com esse propósito, sendo pioneira ao lançar o primeiro switchel do Brasil, uma opção refrescante e cheia de personalidade para quem busca reduzir o consumo de álcool sem abrir mão da diversão e do prazer de socializar. Uma Visão Inovadora para o Mercado de Bebidas no Brasil Em 2017, movidos por um sonho e inspirados por experiências com bebidas não alcoólicas em restaurantes pelo mundo, Leeward Wang e Roberto Meirelles, decidiram lançar uma nova categoria de bebida no mercado brasileiro. Assim nasceu a Kiro, um switchel que combina gengibre, vinagre de maçã e outros ingredientes naturais e brasileiros. Essa mistura autêntica ressignifica momentos de socialização, oferecendo uma experiência intensa e naturalmente funcional. Não apenas dispensa conservantes, mas também resgata uma tradição milenar usada por agricultores americanos para aumentar a disposição e garantir hidratação. Superando Desafios e Reinventando o Caminho A jornada da Kiro vai muito além de criar uma bebida saborosa e não alcoólica. Desde o início, Leeward e Roberto enfrentaram desafios significativos para consolidar a Kiro no mercado brasileiro, com o compromisso de oferecer um produto feito com poucos e bons ingredientes (sem adição de conservantes e naturalmente funcionais), priorizando pequenos agricultores e práticas éticas em toda a cadeia. Em busca de maior controle sobre a produção e de remuneração justa, Lee e Roberto chegaram a montar sua própria fábrica, onde também adotaram práticas como a compostagem de resíduos, reforçando o compromisso com o meio ambiente. No entanto, a pandemia de 2020 trouxe dificuldades inesperadas, forçando a empresa a encerrar a operação da fábrica e reduzir o tamanho da equipe para manter-se viável. “Foi um momento duro despedir algumas pessoas, mas o que ficou foi uma equipe pequena e muito eficiente, fazendo mais com menos”, comenta Lee. Adaptar-se e inovar sempre esteve no cerne da Kiro, e esses valores continuam a guiá-los em sua trajetória de superação. A partir de Junho de 2023, a produção da Kiro passou a ser feita na Cervejaria Dádiva, uma empresa liderada por uma mulher, que mantém rigorosos padrões de qualidade e preserva a rede de pequenos fornecedores da agricultura familiar. A parceria preserva toda essência e o compromisso com a qualidade das bebidas criadas pela Kiro e impulsiona a comunicação e divulgação da marca. Durante a pandemia, a Kiro enfrentou um grande aumento nos custos das embalagens, especialmente do vidro. Para se adaptar, a empresa optou por migrar para latas de alumínio, um material altamente reciclável, simbolizando mais uma evolução em sua jornada de inovação e contribuindo também pra comunicação dos atributos da marca. Esse movimento exigiu testes cuidadosos e a adaptação da receita para manter a qualidade e a experiência do produto. Além disso, novos sabores e combinações também foram desenvolvidos. O faturamento acumulado em 2024 é o melhor desde o início da produção, refletindo a resiliência e o compromisso da Kiro em superar desafios, como a introdução de novos hábitos de consumo no mercado de bebidas não alcoólicas no Brasil, e a concorrência com grandes marcas que dominam o setor. Sustentabilidade e Agricultura Regenerativa: Um Compromisso que Vai Além do que está dentro de cada lata ou garrafa A Kiro é muito mais do que uma bebida; é uma proposta de mudança no modo como pensamos e nos relacionamos com nossa alimentação e saúde. Todo o gengibre utilizado na produção vem da Cooperapas, uma cooperativa em Parelheiros, São Paulo, que pratica agroecologia — um sistema que respeita o meio ambiente e valoriza as práticas agrícolas locais. “A gente tem um grande sonho de que as pessoas se alimentem bem no Brasil, fortalecendo a cadeia como um todo, do agricultor familiar até a pessoa que está na ponta”, explica Leeward. No Brasil, onde convivemos com o duplo fardo da desnutrição e da obesidade, a Kiro quer ser uma alternativa real e nutritiva, que desafia o status quo das bebidas industriais e ultraprocessadas. “As grandes marcas oferecem produtos baratos e rápidos, mas sem nenhum valor nutricional. Nossa agenda é a de comida de verdade e contra os chamados desertos alimentares”, ressalta Lee. Ao utilizar métodos tradicionais e ingredientes funcionais, a Kiro oferece um produto inovador que permite que as pessoas socializem de forma saudável e sem arrependimentos no dia seguinte. Além disso, a marca já conta com Certificação B, o Selo da Agricultura Familiar e com o selo Sampa + Rural, oferecido pela Prefeitura de São Paulo que identifica os mercados, feiras, restaurantes, cafés, empórios e iniciativas que compram de produtores rurais da cidade. Uma Rede de Apoio que Alimenta Sonhos Para chegar até aqui, Leeward e Roberto contaram com muito apoio, passaram por vários programas que os ajudaram a tirar a idéia do papel e transformá-la em um modelo de negócio viável. Em 2020, durante a crise da Covid-19, a Kiro encontrou um aliado fundamental no programa Covida20, uma iniciativa de financiamento da Trê em conjunto com o Sistema B, Capitalismo Consciente e Din4mo que ofereceu empréstimos coletivos em condições acessíveis para apoiar negócios de impacto comprometidos com a manutenção de empregos e renda. “Quando me tornei pai, percebi a importância de ter uma rede de apoio. “O Covida20 foi essa rede de apoio que impediu a Kiro de fechar suas portas”, relembra Leeward. Graças ao Covida20, a Kiro, junto com outros 46 negócios, pôde continuar sua missão de impactar positivamente o mercado e a sociedade, preservando empregos e fortalecendo o compromisso com a sustentabilidade. O Futuro da Kiro: Alimentando uma Nova Cultura Os sonhos para a Kiro vão além do produto em si. A marca vislumbra contribuir para uma cultura alimentar positiva e regenerativa no Brasil. Entre as ambições futuras, estão expandir sua presença para incluir a Kiro na merenda escolar, ajudando a promover hábitos alimentares saudáveis desde cedo. “Queremos contribuir para um ‘segundo agro’ com impacto, juntando agendas de sustentabilidade, alimentação saudável e apoio à agricultura familiar,”
Capítulo 6: Gastronomia que Impulsiona Impacto Positivo e Sustentável
Por Mariana Stamato e Beatriz Girão | Trê Investindo com Causa É hora de mais um capítulo do ‘Nossas Histórias’! Você já refletiu sobre o impacto das escolhas alimentares que fazemos e como essas decisões podem ser cruciais para a vida das pessoas e do meio ambiente? Hoje, vamos compartilhar a história de como a duLocal está transformando eventos em experiências deliciosas e sustentáveis, utilizando uma gastronomia plant-based (à base de plantas) que vai além da simples promoção de uma alimentação justa e saudável. Fundada em 2018 com o apoio do Anjos do Brasil, a duLocal começou suas operações em São Carlos (SP) e, em abril de 2019, trouxe sua visão de impacto social e ambiental para a capital paulista. A empresa acredita que a comida tem o poder de moldar uma cadeia de impacto positivo, influenciando não só nossas escolhas individuais, mas também o mundo ao nosso redor. “A gente sabe que a forma como consumimos alimentos no geral enquanto sociedade é nociva para o nosso ecossistema e vai nos deixando cada vez mais em débito com a terra. Sempre acreditamos que a alimentação é uma necessidade básica, é um consumo que precisa acontecer, mas podemos mudar as coisas. É uma questão de saudabilidade do ser humano e do planeta como um todo, com todas as formas de vida”, conta Roberta Rapuano, CEO da duLocal. Essa filosofia orienta todas as atividades da duLocal, que não é apenas uma empresa de catering; é uma força propulsora de mudanças reais. Desde a seleção cuidadosa de ingredientes até a combinação criativa de sabores, a duLocal busca oferecer não apenas uma experiência gastronômica de alta qualidade, mas também um compromisso sólido com práticas ESG. Cada etapa do processo, desde a inclusão social até a redução de emissões de CO2, é pensada para maximizar o impacto positivo. Os ingredientes são provenientes da agricultura local, priorizando práticas orgânicas, veganas e familiares, além de destacar o protagonismo feminino, tanto na preparação dos alimentos quanto nos serviços dos eventos. Com essa abordagem, a duLocal eleva a experiência da alimentação, alinhando-se genuinamente com a sustentabilidade e a responsabilidade social. Para as empresas que escolhem trabalhar com esse time, isso significa agregar valor e promover um impacto positivo, que ressoa com seus próprios compromissos ESG. O desafio de manter o sonho vivo Empreender com impacto positivo traz desafios únicos, e a duLocal tem enfrentado uma jornada árdua para desenvolver um modelo de negócio financeiramente sustentável, sem perder de vista sua missão de causar impacto social e ambiental. No entanto, desde a pandemia, a empresa encontrou apoio em uma comunidade que compartilha esse mesmo sonho. “A pandemia foi um período extremamente difícil, a gente ainda não tinha sinais muito claros do que ia acontecer, mas rapidamente colocamos uma vaquinha no ar para dar suporte às cozinheiras e aos motoboys que trabalhavam com a gente naquele período. Em três dias, a gente conseguiu R$ 60 mil, e foi um dinheiro que fez milagre, e foi se multiplicando”, revela Roberta. Além dessa mobilização comunitária, a duLocal também se beneficiou de empréstimos coletivos intermediados pela Trê em momentos críticos. Segundo Roberta, a experiência de receber o empréstimo coletivo mudou a história da empresa:. “Poderíamos não estar mais aqui hoje, mas, graças a esse apoio, estamos cada vez mais próximos de alcançar um modelo de negócio financeiramente viável”. Em 2023, com o apoio da Trê, a duLocal implementou mudanças profundas, criando um ambiente de escuta para as cozinheiras impactadas pela pandemia e reestruturando processos e governança. Ao longo de sua trajetória, a duLocal também contou com o suporte constante de investidores, consultores e de uma comunidade dedicada aos negócios de impacto, como a NuTrêmos. Esse novo influxo de capital financeiro, intelectual, social e humano elevou a duLocal a um novo patamar de segurança e prosperidade. “Nosso desejo é conseguir recompensar todas as pessoas que nos ajudaram com o sucesso da empresa e mostrar que é possível continuar acreditando em negócios de impacto. Desenvolvemos uma nova gestão para salvar a duLocal e honrar essas pessoas, que para a gente é algo super importante”, finaliza Roberta. Empreender no Brasil já é desafiador, mas quando o objetivo inclui gerar impacto social e ambiental, a jornada se torna ainda mais complexa. A duLocal é um exemplo dessa luta, onde a visão de transformação exige resiliência e parcerias comprometidas. Apesar dos inúmeros obstáculos e do caminho muitas vezes solitário, a determinação em causar impacto positivo faz tudo valer a pena. A história da duLocal prova que, mesmo diante das adversidades, é possível – e necessário – transformar o mundo através de negócios com causas. Já pensou que escolher a duLocal é proporcionar uma experiência gastronômica única que vai além do paladar, promovendo um futuro mais sustentável e inclusivo? Cada evento surpreende de forma consciente, apoiando as metas ODS 2030 e a agenda ESG. Conheça mais sobre o trabalho da duLocal aqui!
Capítulo 5: A Beleza do Empoderamento
Por Beatriz Girão e Natalia Meireles | Trê Investindo com Causa Você já pensou que boa parte dos procedimentos que envolvem o cuidado com a aparência na verdade alteram completamente nossas características originais? E que muitas vezes essas alterações são baseadas na manutenção de um padrão que não tem sentido para todas as pessoas? O Nossas Histórias de hoje é um bate-papo com Dandara Elias, fundadora do Todo Black é Power, um dos negócios investidos no programa CoVida20. Localizado em Belo Horizonte, o Todo Black é Power é um instituto que oferece serviços e produtos especializados em cabelos crespos, cacheados e em transição capilar e tem como objetivo apoiar mulheres e homens no cuidado e entendimento de seus próprios cabelos, promovendo a aceitação de sua estética e contribuindo para sua autoestima. Acompanhamos a trajetória do Todo Black é Power por todos esses anos e é um privilégio ver o crescimento do negócio e o impacto positivo na autoestima de cada cliente que visita o salão. “A empresa foi completamente reformulada e está pronta para crescer, voltando de uma maneira que sempre valoriza nossos princípios: diversidade, inclusão e sustentabilidade. Queremos continuar fazendo isso de forma sustentável em todos os aspectos: ambiental, social e financeiro”, destaca Dandara. Ficou curioso(a)? Então assista a esse episódio no vídeo abaixo!